Apartheid Blues

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José Manuel Emiliano Bidarra de Almeida
jalmeida@ciac.pt

José Bidarra
bidarra@gmail.com

Este ensaio fotográfico baseia-se em imagens documentais dos últimos anos do apartheid na África do Sul (anos 80), com especial ênfase em aspectos sociais e humanos. Inclui também recortes de jornal da época com notícias de primeira página. O impacto das imagens reside no elemento humano e na alusão a um contexto racial e social perverso, simbolizando hoje muito mais do que o já extinto regime do apartheid. O reacender de conflitos raciais na África do Sul e a atenção mediática dispensada ao Mundial de Futebol de 2010 (naquele país) voltaram de novo a atenção do público para este tema, agora recentrado sobre os problemas sociais de uma maioria negra.
Documentar os últimos anos do apartheid na África do Sul (anos 80), com especial ênfase em aspectos sociais e humanos.
Captura de imagens documentais junto de populações das zonas urbanas e rurais; fotografias originais a preto e branco, em formato analógico (35mm).
Publicar e expor um ensaio fotográfico capaz de perpetuar a memória do apartheid. Mostrar a um público diversificado uma realidade complexa e distante, embora hoje mais próxima de todos graças à mediatização global.
Ligações
http://teste.ciac.pt/oldcrossmedia/bm_album_mais.php?i=7&n=Apartheid Blues

Apartheid Blues

A palavra apartheid, de origem Afrikaans (uma língua que evoluiu do Holandês usado pelos colonos), significa "vidas separadas". O regime com este nome ficou marcado para a história como um sistema político segregacionista que negava aos negros da África do Sul os seus direitos sociais, económicos e políticos.

Embora a segregação existisse na África do Sul desde o século XVII, quando a região foi colonizada por ingleses e holandeses, o termo apenas passou a ser usado legalmente em 1948. Aos negros foram então impostas várias leis, regras e sistemas de controlo social.

As principais leis históricas do apartheid parecem-nos hoje degradantes, chocantes e anti-democráticas, eis alguns exemplos:

- Proibição de casamentos entre brancos e negros - 1949

- Obrigação de uma declaração de registo de cor para todos os sul-africanos (brancos, negros ou mestiços) - 1950

- Proibição da circulação de negros em determinadas áreas das cidades (com obrigação de residir em cidadesdormitório designadas de townships) – 1950

- Determinação oficial e criação dos bantustões (áreas geográficas só para negros) - 1951

- Proibição de os negros usarem determinadas instalações públicas (salas de espera, bebedouros, sanitários públicos) - 1953

- Criação de um sistema diferenciado de educação para as crianças dos bantustões – 1953

Por estranho que pareça, este sistema vigorou até ao ano de 1990, depois de muitos anos de sanções económicas vindas de todo o mundo, como forma de pressão sobre o regime. Nesse ano, com o regime do apartheid já enfraquecido, Mandela foi libertado ao fim de 27 anos no cárcere. O governo, liderado então por Frederik De Klerk, revogou as leis do apartheid. Três anos depois, Mandela e De Klerk recebiam o Prémio Nobel da Paz.

Foi no período final do apartheid, entre 1983 e 1989, que viajei extensivamente pela África do Sul e pelos países vizinhos como fotógrafo free-lance, convivendo de perto com as populações e tomando conhecimento com essa sociedade absurda e desumana. A vida das pessoas, inseridas nas cidades, nos campos e nas inóspitas paisagens africanas, foi transcrita em tonalidades de pretoe branco, articulada num ensaio fotográfico documental, reunindo esses blues que podiam ter vindo da América de outros tempos. Ficou parte de uma realidade nua e crua, consequência de um olhar atento e perscrutador, contudo fazendo prevalecer as facetas mais humanas e positivas.

O ensaio fotográfico, incluindo a selecção de imagens desses anos, foi indelevelmente inspirado na obra de Nelson Mandela, ele que governou não com a intenção de se vingar dos brancos, mas sim de realmente transformar o país numa democracia para todos.

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